Rito Escocês
Antigo e Aceito
O mais difundido dos ritos maçônicos — e aquele em que a Fênix trabalha desde a fundação, em 1973.
Esta página conta de onde ele veio. Nada do que se pratica dentro do Templo é descrito aqui: é história pública, e vem do próprio Supremo Conselho que o organizou.
Os altos graus nascem quase junto com a Ordem.
Quando a Maçonaria especulativa se institucionaliza, em 1717, existem apenas dois graus: Aprendiz Admitido e Companheiro. Tudo o que veio depois — inclusive o grau de Mestre — é, tecnicamente, um alto grau.
- 1717
Londres, na taverna do Ganso e da Grelha
Em 24 de junho, quatro Lojas londrinas se reúnem na Goose and Gridiron Ale House e fundam a Grande Loja da Inglaterra, elegendo Anthony Sayer seu primeiro Grão-Mestre. O registro original se perdeu; o relato que sobreviveu é o do reverendo James Anderson, no seu New Book of Constitutions, de 1738.
- 1725
O primeiro alto grau
Em 12 de maio, o Ir∴ Charles Cotton recebe o grau de Mestre Maçom — o primeiro alto grau acrescentado à Maçonaria simbólica, oito anos depois da fundação da Grande Loja. Não se sabe quem escreveu o ritual, nem exatamente como a transformação ocorreu.
- 1733
As “Lojas de Maçons Escoceses”
Aparece numa lista manuscrita de Lojas a menção a uma Scotch Masons’ Lodge. As palavras Scotts, Scotch e Scottish designavam um tipo de Maçonaria praticada — não escoceses de nascimento. É a segunda tradição de altos graus mais antiga que se conhece, anterior até ao Arco Real.
- 1743
Bordéus, e um nome que reaparece
Os altos graus nasceram na Grã-Bretanha, mas floresceram na França. Da Loge L’Anglaise, fundada em Bordéus em 1732, sai a Loge la Française, que em 1743 funda a Loge Parfaite Harmonie. Entre os fundadores desta última está Étienne Morin.
- 1744
Reconstruir, em vez de chorar a ruína
O livro Le Parfait Maçon traz uma seção sobre o “segredo dos maçons escoceses”. O tema que ali aparece continua sendo a base dos graus 15, Cavaleiro do Oriente, e 16, Príncipe de Jerusalém.
Em vez de chorar sobre a ruína do templo de Salomão, como fazem os seus irmãos, os Escossais ocupam-se de reconstruí-lo.
A imagem é precisa. Passados setenta anos de cativeiro na Babilônia, Ciro permite aos israelitas reconstruir o Templo e a cidade de Jerusalém; Zorobabel os conduz de volta; a primeira pedra é assentada sob Ciro, e a obra só se completa no sexto ano de Dario. É desse acontecimento que os Escossais faziam derivar a época da sua instituição.
Da França ao Novo Mundo.
- 1761
A patente de Morin
Em 27 de agosto, a Grande Loja francesa de Paris, agindo com o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, expede a Étienne Morin uma patente de Grande Inspetor, autorizando-o a “estabelecer a Maçonaria perfeita e sublime em todas as partes do mundo”.
- 1763
A Ordem do Real Segredo
Morin organiza um rito de vinte e cinco graus, a Ordem do Real Segredo — por vezes chamada, incorretamente, de Rito de Perfeição. Reunia os graus mais praticados da época. Para reforçar a própria autoridade, Morin também redigiu e antedatou as Constituições e Regulamentos de 1762, o que só viria a ser descoberto mais de duzentos e vinte anos depois.
- 1764
Kingston, e depois Nova Orleans
Morin leva a Ordem para Kingston, na Jamaica, e no ano seguinte os altos graus chegam ao continente norte-americano, estabelecidos em Nova Orleans.
- 1767
Os Manuscritos Francken
Morin autoriza o maçom holandês Henry Andrew Francken a instalar corpos maçônicos no Novo Mundo. Francken passa a conferir os altos graus em Albany e, felizmente para a história, transcreve à mão várias cópias dos rituais — os Manuscritos Francken, alguns dos quais sobrevivem.
- 1795
Charleston, um coronel de Washington
Depois de uma cadeia de nomeações que atravessa as Antilhas, Newport e Filadélfia, Barend Moses Spitzer nomeia, em 2 de abril, John Mitchell — irlandês radicado em Charleston, que servira como Intendente-Geral Adjunto do Exército Continental e era conhecido de George Washington.
Charleston, 31 de maio.
Uma semana depois de fazer o reverendo Frederick Dalcho Grande Inspetor, John Mitchell abre em Charleston, na Carolina do Sul, o Supremo Conselho do Grau 33 para os Estados Unidos da América — o primeiro Supremo Conselho do mundo.
Era um sistema superior ao de Morin: administrava trinta e três graus, incluindo os vinte e cinco do Real Segredo. Sua autoridade tradicional se apoia nas Grandes Constituições de 1786, supostamente ratificadas por Frederico II da Prússia — documento que os historiadores modernos consideram tradicional, e não histórico.
Aquele Supremo Conselho existe até hoje como Supremo Conselho, Grau 33, Jurisdição Sul. Sua sé permanece em Charleston, embora a residência tenha passado a Washington por volta de 1870.
Quando o Rito passou a se chamar assim.
Alexandre-Auguste de Grasse-Tilly, membro do Supremo Conselho de Charleston, organiza um Supremo Conselho para a França. No acordo firmado naquele ano entre esse novo Conselho e o Grande Oriente da França, aparece pela primeira vez o título Rite Écossais Ancien et Accepté — Rito Escocês Antigo e Aceito.
O nome só entraria em uso corrente a partir de 1859, na administração do Grão-Comendador Albert Pike.
O Rito não se explica de fora.
É essa a corrente em que a Fênix trabalha desde 30 de julho de 1973. É visão declarada da Loja tornar-se referência em Ritualística do Rito Escocês Antigo e Aceito no espectro da Maçonaria Fluminense.
O que isso exige é conhecido de quem pratica: rigor, estudo e constância. O resto pertence a quem esteve lá.
Esta página é uma tradução resumida de A Brief History of Freemasonry and the Origins of the Scottish Rite, de Arturo de Hoyos, publicada no Scottish Rite Ritual Monitor and Guide (2010, p. 77–111) e adaptada pelo Supremo Conselho, Jurisdição Sul. Ler o original em inglês →
Fênix Nº 1884
Trezentos anos de corrente, e o próximo elo.
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